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A noite da encantaria: celebrando contos nacionais no dia 31 de outubro

  • Foto do escritor: João de Luca Refundini
    João de Luca Refundini
  • 31 de out.
  • 3 min de leitura

O dia 31 de outubro se tornou globalmente conhecido pelo Halloween, uma celebração de forte apelo visual, marcada por abóboras, bruxas e fantasmas de tradição anglo-saxônica. No Brasil, essa importação cultural cresce a cada ano, ofuscando a riqueza e a diversidade do nosso próprio universo de mistérios e encantamentos. Contudo, nesta mesma data, reside uma oportunidade única e genuinamente brasileira: celebrar a nossa encantaria nacional, resgatando os contos e personagens que povoam o imaginário popular de norte a sul.

A valorização dos contos nacionais não é um movimento contra a cultura estrangeira, mas sim a favor da nossa identidade. É um convite para trocar o imaginário da América do Norte por um mergulho nas profundezas das florestas, rios e sertões brasileiros, onde habitam seres muito mais próximos da nossa alma e da nossa história, promovendo a diversidade folclórica de forma lúdica e educativa para as novas gerações.


Folclore e identidade: uma celebração da diversidade folclórica

A força do nosso folclore reside na sua vasta diversidade folclórica, que reflete a miscigenação e as diferentes paisagens do país. Enquanto o Halloween se concentra em um panteão de figuras relativamente homogêneas (vampiros, lobisomens, bruxas), o Brasil oferece uma galeria de seres que nascem das cosmologias indígenas, das crenças africanas e das adaptações europeias.

Do Saci-Pererê, que comemora o seu dia nacionalmente nesta mesma data, ao protetor das matas, o Curupira; da sedutora Iara, a Mãe D'Água, no Norte, à aterrorizante Pisadeira, que habita os telhados do Sudeste. Celebrar o 31 de outubro com nossos contos é reafirmar a beleza de ser múltiplo e incentivar as crianças a se reconhecerem nas histórias de sua própria terra.


Além do óbvio: a riqueza dos contos de terror brasileiros

O imaginário brasileiro de medo e mistério é incrivelmente rico e variado. Longe dos castelos góticos europeus, o nosso terror se manifesta nas estradas desertas, nas margens escuras dos rios e nas matas fechadas. São nessas paisagens que surgem figuras como a Mula Sem Cabeça, o Corpo Seco ou o Mapinguari.

Essas histórias, muitas vezes passadas de boca em boca, carregam consigo ensinamentos sobre a natureza, moral e ética local. Apresentar esses contos nacionais às crianças não é apenas assustar, mas introduzir a elas narrativas que são parte integrante da nossa herança cultural e que revelam a complexidade das crenças regionais.


Contraponto cultural: o dia do saci e a resistência

A criação do Dia do Saci, celebrada intencionalmente em 31 de outubro, é um ato de resistência cultural e uma tentativa de estabelecer um contraponto à massiva importação do Halloween. A figura do Saci-Pererê, com seu gorro vermelho e seu jeito traquina, é um emblema da nossa cultura, com raízes africanas e indígenas.

A ideia por trás desta data é justamente oferecer uma alternativa genuinamente nacional para a celebração infantil. É um convite às escolas e famílias para que invistam em atividades que valorizem a lenda do Saci e de outros personagens folclóricos, como a confecção de gorros vermelhos, contação de lendas e brincadeiras tradicionais, criando um novo significado para o último dia de outubro.


Brincadeiras lúdicas: a encantaria como diversão

O resgate dos contos nacionais oferece um repertório ilimitado para a brincadeira lúdica e criativa. Em vez de fantasias de personagens de cinema estrangeiro, as crianças podem se vestir de Curupira, Boto ou Boitatá, estimulando a imaginação e a conexão com a nossa fauna e flora.


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A Minha Bag Criativa, em seu propósito de valorizar a infância saudável e criativa, apoia essa celebração da diversidade folclórica. Nossas bags podem inspirar brincadeiras temáticas, utilizando os brinquedos e materiais de arte para desenhar a Iara, construir uma cabana do Saci ou criar o cenário de um conto nordestino, transformando a data em uma aventura cultural e criativa dentro de casa.




Celebrando o invisível que é nosso

O Halloween, com sua temática de bruxas e monstros, reforça um imaginário sobrenatural eurocêntrico. A encantaria nacional, por outro lado, nos conecta com as forças da floresta, as encantarias dos rios e os espíritos dos antepassados, elementos centrais das cosmologias dos povos originários e das comunidades tradicionais brasileiras.

Ao escolher celebrar os contos nacionais, estamos valorizando essas narrativas que foram marginalizadas pela colonização. Estamos ensinando às crianças a olhar para o próprio quintal, a reconhecer a beleza e o mistério nas nossas matas e a respeitar o saber que vem da terra. É um ato de amor-próprio cultural, que garante que as nossas histórias e os nossos seres míticos continuem vivos no imaginário das futuras gerações.


 
 
 

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